O bebê de 7-8 meses

O bebê de 7-8 meses

O bebê de 7-8 meses cresce e aparece. Cresce porque está conquistando habilidades e competências importantes e já tem uma presença forte na casa.

Aos 7-8 meses o bebê começa a vocalizar sílabas: mamamá, papapá, bababá. Chama os pais com voz forte já consciente do poder de sua voz. Manter uma conversa com o bebê incentiva-o a continuar experimentando a sua voz e a articular novos vocábulos.

Já é possível identificar no bebê um jeito próprio de ser, começa a ser possível saber do seu temperamento: mais calmo ou agitado, especialmente sensível ao barulho ou mais tolerante aos ruídos. De todo modo é importante proteger o bebê de sons altos, de qualquer tipo de mudança brusca.  Bebês pedem previsibilidade. Eles gostam de ir a lugares novos contanto que bem junto dos pais, gostam de conhecer pessoas novas, desde que bem seguros no colo dos pais. Separações só quando necessárias, e sempre avisar o bebê de que voltam para buscá-lo.

A familiaridade que os pais têm com o bebê já lhes permite perceber quando alguma coisa não está bem com ele: quando seu modo de administrar as diferentes rotinas muda, o bebê costuma sinalizar algum desconforto. O próprio desenvolvimento e a possibilidade de realizar novos movimentos pode ser desconfortável em um primeiro momento, mas com o passar do tempo e um maior controle do conquistado, o bebê vai se tranquilizando.

O ato de sentar representa um longo e complexo caminho de articulações e controle do sistema neuromuscular. Aos 7-8 meses o bebê ensaia sentar-se por si só. O controle do tronco, a possibilidade de girá-lo e ao mesmo tempo usar os braços e as mãos, de ir para frente sem cair é uma conquista e tanto. Quando pode mudar de posição deitada para sentada, o mundo muda de tamanho. Fica gigante.

Nessa idade os bebês também costumam começar a usar os dedos de modo habilidoso: já conseguem usar o indicador e o polegar para fazer o movimento de pinça; e quando encontram pequenos objetos, vão conhecê-los melhor, colocando-os na boca. Os dedos já se tornaram uma extensão dos olhos e da boca. Assim, passam um objeto de uma mão para outra. Já conseguem se movimentar pelo chão de bruços, ainda se rastejando, mas em pleno preparo para o engatinhar, que pode ou não acontecer. No começo o bebê pode ir para trás, mas com uma pequena ajuda na planta dos pés encontra um modo de ir para frente. Ele já descobriu os olhos, o nariz, as orelhas, os órgãos genitais. Já consegue encaixar objetos dentro de um objeto maior. Uma brincadeira deliciosa.

Quando todas essas aquisições são permeadas pela presença ativa dos pais seja conversando, comemorando e por que não, facilitando as suas conquistas, o bebê ganha, além das próprias conquistas, amor-próprio e segurança. Não poucas vezes as tentativas de algo novo não são bem-sucedidas, e o bebê se ressente, se frustra e chora. E isso faz parte.

Os bebês encontram tudo. Portões, escadas, objetos perigosos nas gavetas, na parte inferior do armário. São rápidos, ágeis e curiosos. Ainda não avaliam o perigo.

As refeições também mudam muito. O bebê de 7-8 meses consegue pegar pequenos pedaços de alimentos, amolecê-los na boca e engoli-los. Interessa-se especialmente pelo que os pais comem, o copo com que bebem e os talheres com que comem. É importante deixá-lo comer do que os pais comem, usar um copo ou xicara que não quebra, talheres que não cortam, para incentivá-lo para a pesquisa e a autonomia. Enquanto o bebê ainda mama não é necessário que coma muito. Duas ou três colheradas já são de bom tamanho. O resto é investigação. O bebê imita os gestos dos pais à mesa e assim vai aprendendo. Evite bater os alimentos no liquidificador, no máximo amasse-os com o garfo. Neste período o bebê já tem os dois dentes inferiores e as vezes os superiores.

Nessa época da vida o bebê descobre a permanência dos objetos. Sabe agora que mesmo não vendo um objeto, ele não desaparece. Pode reencontrá-lo. Interessa-se pelo espelho, pelo jogo de esconde-esconde: gosta muito de encontrar e ser encontrado.

A rotina organiza as expectativas do bebê. Ele dorme entre 8 e 12 horas por noite, e precisa de duas boas sonecas, uma de manhã e outra de tarde. É importante manter o ritual para o sono, para estabelecer a importância do descansar.

Acompanhar o bebê de perto, sustentar seus esforços, comemorar suas conquistas, se encantar com suas descobertas tem um efeito estimulante e enriquecedor tanto para os bebês, quanto para os pais.

 

­­­Eva Wongtschowski – psicanalista