O antes e o depois do nascimento do bebê

O antes e o depois do nascimento do bebê

O antes: a mãe está preocupada com o parto, com o enxoval, o canto da casa que será do bebê. O pai e a mãe se preocupam com as novas despesas que não serão poucas.

 

O depois: os pais se assustam – e com razão- como suas vidas mudam 180 graus depois do nascimento do filho. A mudança é gigantesca. E não voltará a ser a mesma. Filho muda tudo. Calma, as mudanças também são boas. Mas logo na chegada do bebê, as exigências de cuidado, presença, disponibilidade são tantas e tamanhas, que não poucas vezes os pais se perguntam ”por que mesmo a gente queria um filho? “. Aos poucos, na medida que o bebê vai crescendo os pais já não fazem a pergunta. Quando ele começa a responder as convocações dos pais para conversar, observar, aprender tudo fica mais fácil.

 

O bebê – você já foi um bebê, é bom não esquecer – nasce frágil, completamente dependente. Ele tem dores abdominais, dificuldade para dormir, para mamar, para evacuar. Tudo é difícil, tudo é gigante, tudo é novo, tudo deverá ser vivido pela primeira vez. A luz, o som, os movimentos, os contatos com o corpo do outro, os mais diferentes aromas, o calor, o frio, o vento, a qualidade – emocional – do ambiente! Sim, até em relação a isso, o bebê é sensível. Ele é sensível ao nervosismo dos pais, à insegurança, ao tom de voz, ao modo como é carregado, se assusta como movimentos bruscos. Não gosta de se sentir solto – por exemplo num carrinho de bebê grande demais para ele, na medida em que é empurrado, vai de um lado para outro dentro do carrinho. Ou quando deitado num berço sem contorno para seu corpo: não esqueça que ele passou 9 meses num espaço reduzido e muito aconchegante.

 

Os pais, principalmente do primeiro filho, muitas vezes se desesperam. Claro, porque para eles tudo também é completamente novo e desconhecido. Tal qual para o bebê abra-se um universo de dúvidas, inseguranças, perguntas, coisas das quais nunca ouviram falar, se surpreendem com o que há agora para observar, no que têm que pensar, nos problemas que aparecem. E aparecem porque é da natureza do humano que apareçam.  Evidentemente nenhum de nós se lembra dos nossos primeiros anos de vida: está tudo devidamente enterrado na nossa mais profunda memória. É a segunda vez que todos nós passamos por isso, só que agora numa posição mais confortável – talvez nem tanto.

 

Cada uma das questões do cotidiano, sobre os cuidados oferecidos ao bebê, se desdobra em dezenas de outras e abre um leque quase incontável de alternativas e possibilidades. Os pais recebem informações de muitas fontes – indo desde os médicos e especialistas consultados, passando por blogs, sites para pais de bebês, cursos, chegando às muitas rodas de conversa on line mantidos por programas de hospitais, de empresas, lojas especializadas. Às vezes nós nos perguntamos se tantas fontes ajudam ou atrapalham. Pode ser muito perturbador que apesar de tantas fontes os pais se vejam atrapalhados sem saber como resolver as dificuldades que têm pela frente. Não conseguem descansar nem durante o dia nem a noite, não se alimentam adequadamente e vão ficando exaustos, criando um ciclo que parece não ter solução.

 

Nossa sugestão é que você siga uma única referência, coloque em prática o que é proposto e veja se funciona para vocês e seu bebê. Não se preocupe, quase sempre todos os caminhos levam a Roma. Há muitos modos e formas de ir conduzindo cada um dos cuidados. Não há uma única solução, não há uma que resolva tudo de uma vez só. Não há soluções de ouro.

 

Ficar muito tempo sozinha com o bebê é bem difícil: na medida do possível evite isso. O primeiro mês de vida do bebê exige muito dos pais: tudo tem que ser experimentado, aprendido, testado. As emoções ficam a flor da pele, a vida vira do avesso. Quase tudo sai do lugar. Poder conversar sobre o que está acontecendo é importante. No whatsapp da nossa Roda de Conversa é interessante como as mulheres conversam, trocam todo tipo de informação, mandam fotos dos bebês, trocam nomes de especialistas, de produtos, contam como resolvem cada um dos problemas (teríamos que pensar num chat para os pais, será que eles gostariam de trocar figurinhas também?), ou simplesmente contam das suas dificuldades e preocupações. É provável que a Roda online seja uma saída para quem está sozinha com o bebê em casa. O espaço é democrático, aceita-se todo tipo de pergunta e resposta. As mulheres com bebês mais velhos acalmam aquelas que estão começando a jornada da maternidade indicando que o bebê cresce, fica mais autônomo, passa a dormir, comer, com mais facilidade, se distraem sozinhos, começam a brincar.

 

Eva Wongtschowski é psicanalista