A separação mãe e bebê

A separação mãe e bebê

A completa dependência e a forte ligação que o bebê estabelece com a mãe e, num segundo momento, a forte ligação com o pai e avós, é absolutamente fundamental. Essa “quase fusão” ou, uma boa união, é condição para haver uma separação sem sofrimento maior. Os primeiros quatro meses na vida do bebê são centrais para o seu desenvolvimento, de todos os pontos de vista: físico, motor, cognitivo, emocional, fatores que de fato estão todos inter relacionados.

 

Quando o bebê chega aos quatro meses de idade, os pais já estão mais tranquilos, já conseguem se relacionar com o bebê de modo mais despreocupado, já pegaram o jeito de cuidar, todos já se conhecem melhor. Os pais começam a ter orgulho com as conquistas que seu bebê alcançou.

 

Quando o bebê está acordado já fica muito mais ativo: observa a tudo e a todos, já diferencia o rosto da mãe do rosto das outras pessoas, sem se intimidar muito. Mas prefere o colo dos pais a qualquer outro colo, e pode chorar quando é pego por estranhos. Os pais por sua vez, na melhor das hipóteses estão apaixonados pela criança e a rotina da casa mais organizada. O pior das cólicas já passou, mas sempre se preocupam com o sono e a alimentação.

 

O bebê já não fica tão concentrado enquanto mama, agora tenta mamar e olhar em volta ao mesmo tempo. As mamadas já podem ser mais bem organizadas de modo que os pais podem se planejar melhor. O bebê pode dormir de 8 a 10 horas seguidas, mas isso nem sempre dá certo. Ele pode acordar durante a noite, mas quando acalmado volta a dormir, até que aprenda a acalmar-se sozinho. E este é um dos momentos da separação do bebê dos pais: ele pode se acalmar sozinho (chupando o dedo, pegando um brinquedo “mamãezado”), quando estimulado a fazer isso.  Diferentemente do recém-nascido, aos 4 meses o bebê pode chorar um pouco e aprender a se acalmar sozinho, quando pai e mãe aguentam alguns minutos de choro.

 

Quando a mãe volta ao trabalho, a dificuldade de se separar provavelmente também é dela e não só do bebê. Claro que também é difícil para ele, porém se vai tendo a garantia de que a mãe volta todos os dias para pegá-lo na creche, ou vê-lo novamente em casa, ele se tranqüiliza. A ligação com o filho é cheia de recompensas, mas também muito dolorosa, e a separação é uma delas.

 

Os pais têm medo de que a criança se ligue muito a um outro adulto (o que sempre é bom sinal, essa capacidade de adaptação, assim como de se ligar a outra pessoa). Os pais não poucas vezes desconfiam da capacidade de qualquer outra pessoa cuidar do filho mesmo quando é evidente que cuidarão de outra forma.

 

No começo da separação o bebê pode se ressentir da falta que sentiu dos pais e expressar isso não querendo ir para o colo da mãe ou do pai quando eles voltam a se encontrar. É sem dúvida um momento doloroso, mas administrável com o tempo.

 

Se puder deixe um tempo para brincar e arrumar o bebê com calma, durante a manhã; e se possível o mesmo quando voltarem para casa. Como sinal de protesto é esperado que o bebê deixe da fazer algumas coisas que já conseguia fazer, mas logo voltará a usar as suas conquistas e competências.

 

Eva Wongtschowski é psicanalista